O Protocolo Unificado (PU) é atualmente uma das abordagens transdiagnósticas, baseadas no modelo cognitivo-comportamental, mais investigadas e empiricamente sustentadas em adultos com perturbações emocionais (Farchione et al., 2024; Longley & Gleiser, 2023).
Mais de 70 ensaios clínicos randomizados, realizados em 11 países, demonstraram a sua eficácia em dificuldades como ansiedade, depressão, POC, trauma, perturbações alimentares, perturbação bipolar e dificuldades de regulação emocional (Cassiello-Robbins et al., 2020). Resultados promissores também têm sido observados na redução da sintomatologia emocional em pessoas com diferentes condições de saúde, incluindo esclerose múltipla, dor crónica, síndrome do intestino irritável, VIH, doença de Parkinson, cancro da mama e infertilidade (Osma et al., 2021).
O PU tem demonstrado também elevada flexibilidade e adaptabilidade, estando verificada a sua eficácia em diferentes formatos de intervenção, incluindo o contexto individual (Barlow et al., 2017), grupal (Ayuso-Bartol et al., 2024) e por teleconsulta, em formato individual e grupal (Pedro et al., 2025).
Os estudos demonstram reduções clinicamente significativas dos sintomas de ansiedade e depressão, acompanhadas de melhorias no funcionamento global, qualidade de vida e competências de regulação emocional (Ayuso-Bartol et al., 2024; Carlucci et al., 2021). Os ganhos terapêuticos tendem a manter-se estáveis entre 6 meses e 3 anos após o tratamento (Bullis et al., 2023; Farchione et al., 2012), sugerindo que o PU promove mudanças sustentadas nos processos emocionais subjacentes às perturbações emocionais.
Os estudos comparativos revelam que o PU apresenta resultados equivalentes aos protocolos cognitivo-comportamentais específicos para diagnósticos individuais, particularmente em pessoas com comorbilidade entre diferentes perturbações emocionais (Barlow et al., 2017; Reinholt et al., 2021). Uma das vantagens do PU é a possibilidade de tratar simultaneamente múltiplas dificuldades emocionais sem necessidade de recorrer a diferentes protocolos para cada diagnóstico. Esta abordagem pode assim aumentar a eficiência clínica, facilitar a formação de profissionais da área da saúde mental e melhorar o acesso aos cuidados em saúde mental.
Adicionalmente, alguns estudos sugerem menores taxas de abandono terapêutico e maior acessibilidade do tratamento quando comparado com protocolos focados exclusivamente num diagnóstico específico (Barlow et al., 2017; Bullis et al., 2023).
O PU atua diretamente sobre mecanismos psicológicos centrais associados às perturbações emocionais, promovendo alterações nos processos que contribuem para a manutenção do sofrimento emocional. Entre os mecanismos mais estudados encontram-se: diminuição do neuroticismo (Longley & Gleiser, 2023; Sauer-Zavala et al., 2021a), aumento da flexibilidade cognitiva, redução do evitamento experiencial e maior tolerância às emoções (Sauer-Zavala et al., 2021b). A investigação sugere que as melhorias nestes processos podem explicar uma parte significativa dos ganhos terapêuticos observados após a intervenção.
O PU tem vindo a ser estudado em diferentes populações adultas e contextos de prestação de cuidados incluindo cuidados de saúde primários (Timulak et al., 2022), serviços públicos de saúde mental (Reinholt et al., 2017) e contextos universitários (Sauer-Zavala et al., 2020).
Os resultados sugerem que o PU pode constituir uma abordagem promissora para aumentar a acessibilidade a intervenções psicológicas empiricamente sustentadas.
Em conjunto, a evidência disponível sugere que o PU constitui uma abordagem transdiagnóstica empiricamente sustentada, eficaz e flexível para o tratamento das perturbações emocionais em adultos. A sua capacidade de atuar sobre processos emocionais centrais comuns a diferentes diagnósticos, aliada à adaptabilidade a múltiplos contextos e formatos de intervenção, tem contribuído para o crescente interesse científico e clínico neste modelo. O desenvolvimento contínuo da investigação nesta área reforça o potencial do PU como uma abordagem inovadora para promover cuidados psicológicos mais integrados, acessíveis e baseados na evidência.